Chay Suede, Marco Ricca, Drica Moraes

Divulgação

O filme Rasga Coração é uma obra de Jorge Furtado que não dá pra perder. Com estreia, nos cinemas brasileiros, marcada para a próxima quinta-feira, 6, o longa traz um elenco de peso, que inclui Marco Ricca, Drica Moraes e Chay Suede.

Adaptado da peça homônima da década de 70, escrita por Oduvaldo Vianna Filho, Rasga Coração conta a história de Manguari Pistolão [Ricca], um militante anônimo que, após décadas, vê o filho Luca [Suede] seguir os mesmos atos.

Ao lado da esposa, Nena [Moraes], Manguari precisa lidar com as lembranças do passado e os problemas da sua vida atual, como a artrite crônica, a dificuldade financeira e os conflitos com o filho. Em coletiva de imprensa nesta terça-feira, 4, em São Paulo, o elenco e o diretor falaram sobre a obra.

"O filme se passa em 79 e 2013", explica Furtado. "O pai é um militante de esquerda, que tem um filho que não consegue entrar na sala de aula porque ele tem um cabelo comprido e não deixam ele entrar por isso. Mas isso a gente adaptou, por uma questão de gênero".

"Eu vejo a Nena como se ela tivesse se perdido ao longa da idade, ela acaba ficava presa em ser dona de casa e na criação dos filhos. A gente pergunta ‘Se ela não estivesse naquele apartamento, o que ela estaria fazendo?'. Ela vai envelhecendo mal, fica muito presa", explica Drica.

"Acho que, sobretudo, é uma história de amor. Claro que a gente tem um plano de fundo, necessariamente, político, mas eu fiz o filme pensando que ele é um homem que teve certas frustrações, que ele tenta reconstruir e projetar isso, não sei se é certo ou errado, no filho", acrescenta Ricca.

Chay Suede, Marco Ricca, Drica Moraes

Fábio Rebelo

Parceria fora das telas

Segundo o diretor, a trilha sonora contou com uma ajuda especial de Chay, que apresentou a música Demolicion. "É um negócio punk rock. Uma música que o Chay que trouxe, me apresentou. É um grupo peruano, Los Saicos, que inventou o punk rock em 64. Dez anos antes dos Ramones".

Luisa Arraes, George Sauma e João Pedro Zappa também integram o elenco de Rasga Coração e dão um show de talento e atuação.

"A Luisa é minha parceira de tudo, de vida", elogiou Chay. "Ela é uma parceira inacreditável. A gente se conheceu fazendo um teste para ‘Babilônia' e ficamos muito amigos já no teste. E cada hora é de um jeito, namorados, irmãos. A gente consegue sempre se encontrar de um jeito muito verdadeiro. A gente se conecta de um maneira muito real".

Chay Suede, Marco Ricca, Drica Moraes

Fábio Rebelo

Atualidade em questão

Dois personagens negros, vividos por Anderson Vieira e Cinândrea Guterres, acabam sendo punidos ao longo da história. Furtado, que faz questão de colocar atores negros em suas obras, como em O Homem Que Copiava, Meu Tio Matou Um Cara e Mister Brau, falou sobre o assunto.

"Eu acho que o assunto mais importante e urgente do Brasil é o racismo. O Brasil é o país dos escravos. Eu acho que esse assunto precisa ser falado e é pouco falado na minha opinião", disse ele. "De cada 10 pessoas pela polícia do Rio de Janeiro, 9 são negros. Por que eles pagam o pato? Porque o Brasil é um país que nunca se livrou da escravidão".

Muitas questões atuais aparecem à tona no longa, como a política, as drogas, o racismo, a liberdade de expressão, a situação das escolas e dos hospitais no Brasil e também o gênero, já que o personagem de Chay, muitas vezes, aparece de maquiagem, esmalte nas unhas e saias. 

"Eu pensei há 10 anos em fazer esse filme. Mas aí eu parei e falei ‘Não, não tem sentido nenhum fazer essa peça agora, com um governo de esquerda, dando certo", revelou Furtado. "Em 2013 eu pensei ‘Rasga Coração' está ficando jovem de novo, tem jovens nas ruas protestando contra o governo. Eu me assustei de tão atual. Daí se dá a importância do filme".

"Seria melhor se nós estivéssemos em um momento histórico melhor. Eu sei o que não estivesse ocorrendo no Brasil e que está ocorrendo", explica Ricca. "A gente precisa de cultura. O país precisa mesmo de cultura. O buraco é escuro, mas a gente vai enxergar".

Chay Suede, Marco Ricca, Drica Moraes

Fábio Rebelo

Somos tão jovens

Por fim, Chay acrescentou a identificação de seu personagem com os jovens de hoje e que lutam pelo que acreditam.

"A gente precisou ter um olhar um pouco mais político, através do ponto de vista dele, por se tratar de um jovem atual. O jovem de hoje, que se propõe a ter um estilo de vida diferente, que não tem só a ver com o gênero ou a sexualidade".

 "Acho que tem a ver, simplesmente, com o comportamento, em poder pintar uma unha ou usar uma saia. Esse jovem precisa ter contato com a política, de alguma maneira, e precisa estar integrado nelas para que ele possa fazer o uso dessas coisas de uma maneira mais contundente e confortável".

"O jovem de hoje tem demandas muito maiores, muito mais volumosas, muito mais profundas, eu acho, do que os jovens de outras gerações. E o Luca não é da minha geração, eu também sou muito mais velho que ele. Ele tem 17 e eu, 26. Ainda assim eu conheço ver o Luca nesses jovens que eu conheço", finalizou ele.

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