Prince, 2011

AP Photo/Polfoto/Jakob Joergensen

Descanse em Paz, lenda!

Se David Bowie foi uma excentricidade do espaço, talvez demais para este reino terrestre, no final, Prince também foi. No ano que está se transformando em um dos mais deprimentes desde o suicídio de Kurt Cobain, em 1994, perdemos Prince, de forma incompreensível, aos 57 anos. O artista enigmático, que era de Minneapolis, mas que, na maior parte, não parecia ser de uma grande metrópole norte-americana, morreu em sua casa, ainda de forma não divulgada.

PRINCE É HOSPITALIZADO APÓS AVIÃO FAZER POUSO DE EMERGÊNCIA

Prince, 1985

AP Photo/Doug Pizac

Prince Rogers Nelson era mais do que um músico, mais do que um compositor, mais do que um vencedor do Grammy, Globo de Ouro e Oscar. Ele era um artesão genuíno, com músicas híbridas de R&B, soul, funk, rock e hip-hop, que não soam igual a nada que já existiu antes. Em vez disso, os que vieram depois, como Justin Timberlake, The Weeknd, Miguel, St. Vincent e Muse não deixaram de ser comparados com Prince.

Ter sido incluído no Rock and Roll Hall of Fame, em 2004, foi uma grande conquista para o cantor, que ganhou sete Grammys, mesmo nenhum deles ter sido o de Melhor Álbum do Ano. Ele também roubou a cena na premiação em 2015, ao anunciar, com um sorriso no rosto, o Melhor Álbum do Ano, faturado por Beck. "Assim como livros e as vidas dos negros, álbuns continuam sendo importantes", disse ele, na época.

Prince, Musician, Grammy Awards

Kevork Djansezian/Getty Images

Seu álbum Purple Rain, de 1984, considerado um dos melhores de todos os tempos, já vendeu mais de 22 milhões de cópias. Através dos anos, ele foi além de ser alguém prolífico, mas sim uma pessoa equilibrada, da qual os colegas famosos e fãs se atentavam a cada palavra digna que viesse a falar, mas, claro que, não a um gravador. Suas regras contra repórteres e entrevistas eram lendárias e de seu direito.

Ele também foi reverenciado com muitas paródias, como a de Dave Chapelle, que foi claramente uma das melhores imitações de comédia dos últimos tempos.

"Você ficou afastado, essa é a questão", perguntou Matt Lauer ao artista, em 2004, no Today Show, após o cantor ficar afastado por alguns anos. Com um gola alta azul e um terno branco, Prince respondeu: "Não [afastado] em tudo. Nós estamos viajando pelos últimos cinco anos, realmente. Eu meio que amo os comentários sobre os shows, eu realmente absorvo isso".

Talvez tenha sido porque os comentários tiveram palavras como único, transcedente e hipnótico. Conversar com alguém que tenha assistido a um show de Prince é garantir que eles testemunharam o melhor show da vida deles.

Prince era conhecido por ser agitado em cima do palco e por cantar seus maiores hits, como Kiss, 1999, Raspberry Beret e Little Red Corvette, além de também surpreender o público, como aparecer em lugares inesperados durante a apresentação. Em meados de março deste ano, o cantor fez um show exclusivo em New York, nos Estados Unidos, de durou uma hora e contou com as pessoas mais VIPs da cidade.

Já as pessoas que participaram de seu show em Atlanta, no dia 14 de abril, disseram que ele estava incrível. "Ele estava enérgico e a multidão foi à lucura", disse uma delas. Entretanto, seus problemas de saúde fizeram com que ele cancelasse seus próximos shows da turnê Piano & a Microphone.

Prince, 2005

Frank Micelotta/Getty Images

Em 2004, naquela mesma entrevista a Matt Lauer, Prince disse que não prestou muita atenção para os comentários de seus álbuns e que não pensa muito nas críticas finais. Já em 2011, ele foi questionado pelo jornal The Guardian se ele tentava deixar as pessoas à vontade nos encontros, e respondeu: "Eu faço isso muito rápido. Estou muito bem. Você não está intimidado, não é?"

Sobre receber o mérito de ser uma pessoa maior que a vida, Prince disse: "Várias coisas acabam vindo de outras pessoas. A imprensa gosta de noticiar coisas fora da proporção de modo que essas pessoas se tornem melhores que as outras. Quanto mais cedo essa coisa chamada fama for embora, melhor. Temos pessoas que não precisam ser famosas".

A década de 80 foi, particularmente, prolífica para Prince, tanto que ele lançou Dirty Mind, Controversy, 1999, Purple Rain, Around the World in a Day, Parade, Sign o' the Times, Lovesexy e a trilha sonora de Batman, que ficou no topo das paradas de álbuns da Billboard durante seis semanas. Se você gosta de Batman, dirigido por Tim Burton, este pode ter sido um dos motivos.

O jornal The Gardian observou que, em suas entrevistas, Prince pediu que não discutissem sobre o homem sob o aspecto da internet. Mas, ele também disse: "Eu, pessoalmente, não pertenço a música digital. Você está recebendo a música em bits. Isto afeta o seu cérebro em um lugar diferente. E quando você toca-la novamente, você não sentirá nada. Nós somos pessoas analógicas e não digitais".

A opinião de Prince não difere da de outros artistas, como Neil Young, que criou o seu próprio iTunes, denominada Pono, para entregar, ao seu ver, algo mais autêntico, como álbuns antigos para os ouvintes digitais.

Prince, que foi um dos pioneiros a adotar a internet como plataforma de vendas, fechou o seu site, LotusFlow3r.com, em 2010, falando que a internet estava "completamente acabada".

Entretanto, em agosto de 2015, ele anunciou que seu próximo álbum seria transmitido com exclusividade pelo Tidal, de Jay-Z. E assim, ele esclareceu o que havia dito sobre a internet estar "completamente acabada" ao The Guardian, em novembro do mesmo ano.

"O que eu quis dizer foi que a internet estava acabada para quem quer ser pago, e eu estava certo sobre isso", disse Prince. "Diga-me qual artista está rico sem ser com as vendas digitais? A Apple está fazendo tudo direitinho". Ironicamente, ele também observou que a internet criou críticos de música um tanto quanto mais toleráveis.

"Veja, todo mundo sabe quando alguém está ocioso, e agora, com a internet, é impossível para um escritor estar ocioso porque todo mundo irá falar sobre isso", disse Prince. "No passado, eles disseram coisas que não estavam de acordo, e eu não tenho nada a ver com isso. Agora fica embaraçoso dizer algo falso, pois você coloca isso online e todos ficam sabendo sobre isso, portanto, o melhor é dizer a verdade".

Prince

Neil Lupin/Redferns

Não que tudo o que ele tenha feito tenha se igualado ao seu alto patamar, mas Prince fez muito para ser verdadeiramente compreendido. A verdade é que não podemos pintar um retrato sobre Prince ou o seu legado com palavras como prolífico, icônico ou até mesmo gênio.

A outra verdade é que, assim como David Bowie, Prince – em qualquer fase de sua carreira inimitável, através de qualquer um de seus 37 álbuns de estúdio e inúmeras outras gravações, através de seu papel como "The Kid" em Purple Rain ou porque você queria beber em cada aparição que ele fazia apenas para ouvi-lo falar ou ver o que ele estava vestindo. – significou um número infinito de coisas para pessoas diferentes.

Na verdade, talvez a única coisa que todos queriam de Prince era mais Prince. E essa é a única coisa que ele não vai ser capaz de nos dar.

Prince, 2007

AP Photo/Chris Carlson

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