Por que Juliette nunca é ouvida ou compreendida dentro do BBB21

A participante de 31 anos foi excluída pelos brothers no início da edição e ainda não encontrou alguém que ficasse ao seu lado de verdade.

por Sally Borges 14 abr, 2021 10:00Tags
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Juliette Freire já passou por muitos momentos delicados dentro do BBB21. Juliette, uma das favoritas ao grande prêmio pelo público, possui uma trajetória de resiliência no reality show, digna de exemplo para os espectadores e futuros participantes.

Como os fãs podem se lembrar, a maquiadora de 31 anos foi excluída ao se unir com o resto dos confinados no início do programa. Ela também chegou a ter o seu sotaque questionado, sendo alvo de xenofobia por Karol Conká, e foi a mira do machismo, sofrendo certos tipos de gaslighting, mansplaining e manterrupting.

"O gaslighting é um tipo de abuso que atinge milhares de mulheres de forma sútil, um abuso velado. É aquele abuso sem mostrar que estão abusando", explica Kelida Marques, psicanalista, hipnóloga e terapeuta holística reikiana, sobre informações distorcidas ou omitidas que favorecem o "abusador", fazendo com que a vítima duvide da própria opinião.

"Já o mansplaining acontece quando um homem quer explicar um assunto óbvio a uma mulher. Quando um homem menospreza a sua capacidade e sua intelectualidade. Pode vir com uma doçura, uma sutileza na voz. Manterrupting acontece de forma brusca, quando um homem interrompe a fala de uma mulher. Ele não é velado, ele é descarado. É tirar o lugar de fala de uma mulher".

Esses termos são exemplificados quando Juliette teve uma conversa com Arthur sobre o mesmo não colocar uma pessoa que estivesse no VIP, grupo especial de comida, para ser o Monstro do Anjo, pois automaticamente iria para a Xepa.

Ao ser colocada no Monstro por Arthur e dizer que havia tido tal conversa com o confinado, ela passou a ser deslegitimada por outros participantes, como Projota e Fiuk.

"Automaticamente, quem faz o gaslighting quer tirar completamente a sua culpa, a sua fala daquilo que acabou de ser contestado. Ela sofreu gaslighting clássico", completa Kelida.

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Por que Juliette é o principal alvo de críticas na casa?

Apesar de ter se aproximado de algumas pessoas, como Sarah, Gilberto, Viih Tube e, mais recentemente, Camilla de Lucas, a maquiadora nunca foi prioridade de nenhum deles.

"A Juliette foi muito criticada pelo jeito de falar, pelo comportamento, pela forma que se posiciona e, muitas vezes, ela não concorda até com os pares dela. Mas ela não trai, digamos assim, aquilo que acredita. Isso vai mostrando uma coerência e não é fácil que nosso grupo esteja indo por um caminho e nós tomamos a decisão de não irmos por esse caminho", observa Janine Rodrigues, escritora, educadora e fundadora da Piraporiando.

E, para a maioria das pessoas, é mais fácil o "cancelamento" e a "exclusão" do que querer entender o próximo e seus sentimentos.

"Muitas vezes, em nossos próprios relacionamentos, nós agimos assim também com as pessoas, até por isso que o programa, o BBB e outros programas de reality show são tão assistidos. Eles refletem os sentimentos e os comportamentos das pessoas em geral", reflete Dr. Roberto Debski, médico e psicólogo.

"Por isso, nós, por não gostarmos de alguém ou não concordamos ou mesmo por termos inveja, raiva, de alguma maneira nos toca. E isso mexe com a gente também, muitas vezes nós acabamos excluindo a pessoa, com a justificativa de que é por causa da personalidade, porque ela é agressiva, abusiva e muitas vezes nós não vemos em nós que temos esse tipo de comportamento".

Reprodução/TV Globo

Por que o Big Brother Brasil é tão assistido e comentado?

Programas de TV, especialmente realities, levantam questões importantes para a sociedade e que são essenciais em discussões e formações de opinião.

O Big Brother Brasil já possui mais de 20 edições e, em muitas delas, o racismo, o machismo, a homofobia, a xenofobia, a intolerância religiosa e até o feminismo já estiverem presentes.

Para Dr. Roberto, essas questões deveriam ser inseridas desde cedo na vida de uma pessoa, mais precisamente na infância, para serem bem discutidas e posicionadas.

"Deveriam ser abordadas na família, deveria ter uma abordagem com as crianças sobre isso. A escola deveria ampliar essas questões, discussões e posicionamentos, pois são questões que ditam a norma da sociedade, os relacionamentos", opina o psicólogo.

"Religião, homofobia, machismo, racismo, feminismo, relacionamento são questões que estão no inconsciente coletivo, nas discussões das pessoas, no dia a dia e quando são trazidos em rede nacional, colocados de uma maneira para atrair atenção, discussões, eles continuarão em mais evidência".

E nós, como espectadores, temos a responsabilidade de refletir e ponderar as situações, formando, assim, uma opinião bem orientada e distante de preconceitos.

"O mais importante não é ver certo tipo de comportamento, mas é como eu percebo, como eu me identifico diante daquela situação. 'Como eu reajo diante disso', 'O que eu tenho que fazer?'. São coisas que a gente precisa de identificar, trazer para a nossa realidade e fazer reflexões", cita Suzana Lyra, neuropsicóloga e especialista em Transtornos Emocionais, Humor e Comportamento.

"Temos que pensar que o que acontece lá é um pedaço da vida real. Dificilmente alguém vai apresentar um comportamento que não seja um comportamento aqui fora. O que acontece é que lá dentro é potencializado, isso é provocado e vira um motivo de discussão", pondera Janine Rodrigues. "Uma coisa que é importante, dentro e fora, é que tenhamos capacidade de análise crítica".

"Uma vez esses assuntos em mesa, eles acabam conscientizando a sociedade de abrir espaço para o diálogo, para o respeito. Quando você aborda um assunto de forma exemplar e consciente, você acaba conscientizando outras pessoas. E com isso, você traz um grande senso de amor, justiça e respeito para todos que vivem em sociedade", completa Kelida.

Reprodução/TV Globo

Como fazer com que as mulheres tenham voz na sociedade?

Juliette se tornou um dos maiores cases da história do BBB. Sendo alvo de muitas críticas na casa, a maquiadora é uma das favoritas ao grande prêmio.

Com um dos perfis brasileiros de maior engajamento do Brasil, a musa se surpreenderá com todas as oportunidades que a esperam fora da casa.

"A mulher precisa ter voz e pra isso, ela não precisa gritar, precisa se posicionar. É diferente. O posicionamento é efetivo. E isso já está mudando. A mulher, através de suas atitudes, tem mostrado quem ela é. Nós precisamos modificar isso o quanto antes, identificar esse tipo de comportamento disfuncional para que as coisas comecem a andar de forma correta, menos traumática para a mulher dentro de uma sociedade tão machista", explica Suzana Lyra.

"Posicionem-se, mulheres, não só diante do homem, mas do mundo. Vocês têm voz, garra, poder, conhecimento, inteligência. Não permita que o homem subestime você".

E a paraibana aprendeu a se impor dentro do programa, tornando-se exemplo para outras mulheres que vivem ou já viveram o mesmo.

"A Juliette é uma moça que tem traços extremamente femininos, uma mulher linda, maravilhosa. Ela tem o traço da mulher delicada e, ao mesmo tempo que traz isso, tem um lado muito forte, representando a maioria das mulheres. Ela traz uma força, uma luz, a capacidade de ser quem ela é, de ser verdadeira, de não negar suas origens e essências. E foi por isso que acabou sendo excluída ou ignorada dentro do reality show, mas acabou ganhando o coração dos brasileiros. Ela está ali para mostrar quem ela é de verdade", finaliza Kelida.

Saiba aqui os recordes que Juliette já bateu no Instagram.