Entenda a polêmica racial envolvendo Anya Taylor-Joy de 'O Gambito da Rainha'

A atriz de 24 anos foi descrita como "mulher de cor" por um artigo da revista norte-americana Variety. Confira!

por Sally Borges 09 mar, 2021 18:05Tags
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Quem não ficou impressionado com o talento de Anya Taylor-Joy em O Gambito da Rainha, que atire a primeira pedra. Taylor-Joy tem sido reconhecida por sua incrível atuação, mas isso não significa que seu nome seja alvo de polêmica. 

Como os fãs sabem, a atriz e a série da Netflix acabaram de levar os prêmios de Melhor Atriz em Série Limitada ou Filme para TV e Melhor Série Limitada, tanto no Critics' Choice Awards 2021 quanto no Globo de Ouro 2021.

O sucesso narra a história da prodígio jogadora de xadrez, Beth Harmon. Dias após a estreia, em outubro de 2020, O Gambito da Rainha alcançou a pontuação máxima no Rotten Tomatoes, um dos maiores sites de críticas de TV e Cinema.

Com tanto renome e vitórias, diversos artigos foram escritos sobre Anya, e um deles acabou causando grande polêmica.

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A revista norte-americana Variety publicou em 28 de fevereiro um texto no qual descreve a atriz de 24 anos como uma "mulher de cor".

"A argentina Taylor-Joy é a primeira mulher de cor a vencer esta categoria desde Queen Latifah em 2008 e apenas a quinta mulher de cor a vencer desde 1982", informava o artigo.

Claramente a descrição da protagonista de O Gambito da Rainha gerou muitas polêmicas nas redes sociais, levando a Variety a modificar o texto. O veículo, por sua vez, esclareceu que a estrela "se identifica com uma latina branca".

E por que Taylor-Joy é considerada uma pessoa "de cor" nos Estados Unidos?

Focus Features

A atriz nasceu em Miami, mas se mudou ainda jovem para a Argentina com os pais, vivendo no país latino até os 6 anos. Ela é filha de pai argentino de raízes escocesas e de mãe nascida na Zâmbia.

Em uma entrevista, Anya chegou a elogiar suas origens e disse sentir orgulho de ter "vindo" da Argentina. Com isso, muitos norte-americanos consideram que as pessoas de origem latina podem não ser consideradas brancas.

O conceito de "pessoa de cor" é exclusivamente usado nos Estados Unidos. Os brancos começaram a usá-lo nos séculos 18 e 19 para se referir a pessoas de raça negra ou parda; apenas no final do século 20 que os afro-americanos e membros de outras minorias se apropriaram do termo.

E esse termo não relaciona-se apenas às características físicas, mas também à origem étnica e à forma como a pessoa se identifica. E como dito anteriormente, pessoas vindas da América Latina ou da Espanha são classificadas como "de cor" nos Estados Unidos, seja pelo fato de falarem espanhol ou por seus ancestrais; como é o caso de Anya Taylor-Joy.