Testemunhas relatam assédio sexual que Dani Calabresa sofreu de Marcius Melhem

Revista Piauí detalhou os abusos sofridos pelas atriz durante seu trabalho na Rede Globo.

por Miriam Kaibara 04 dez, 2020 14:59Tags
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A reportagem da revista Piauí, da edição de dezembro, detalha os abusos sexuais que Dani Calabresa sofreu de Marcius Melhem. Com testemunhos de mais de 40 pessoas, a revista expôs os assédios que Dani enfrentou de seu chefe e a forma como sua emissora, a Rede Globo, tratou a acusação.

Em novembro de 2017, Marcius decidiu celebrar o centésimo episódio de O Zorra, em um bar do Rio. O assédio contra Dani se iniciou quando a atriz e o diretor estavam no palco do karaokê e Marcius forçava o contato corpo a corpo. Em um momento, ele puxou a cabeça de Dani e tentou beijá-la. Visivelmente incomodada, ela saiu do palco acompanhada da atriz Débora Lamm.

Ao ir para o banheiro, Dani foi abordada mais uma vez por Melhem, que tentou agarrá-la. Ao tentar sair do local, Dani bateu a cabeça na parede e pediu que o diretor a deixasse passar. Ignorando seu pedido, o humorista imobilizou os braços da atriz e puxou sua cabeça para forçar um beijo. 

Assustada, Calabresa cerrou os lábios e virou o pescoço, mas Marcius conseguiu lamber seu rosto e em seguida tirou o pênis para fora da calça. Ao tentar soltar seus braços, Dani acabou encostando a mão e os quadris nas partes íntimas de Melhem. Abalada, Dani retornou para o salão do bar e teve uma crise de choro. 

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Divulgação/RedeGlobo; Instagram/@calabresadani

Três dias após o assédio, Dani estava ensaiando no Projac, quando foi surpreendida pela presença de Melhem, que falou sobre o assédio com descaso. 

"Para, para, para. Eu não tenho culpa do que aconteceu! Quem mandou você estar muito gostosa?", disse ele. "Não quero seu abraço nem suas desculpas, você já me agarrou, lambeu minha cara e encostou o pau em mim", reagiu Calabresa. 

Em outro dia, no qual Dani estava usando um maiô vermelho para gravar uma cena no estilo da série Baywatch, Marcius a abordou novamente em seu camarim e disse que tinha ido dar uma "conferida" no figurino. Constrangida, a atriz apenas sorriu e não abriu seu roupão. 

Além do assédio sexual e moral, Dani também viu sua vida profissional abalada por conta de Melhem. Após dizer que seu projeto seria exibido na Globo, o diretor vetou sua ideia original de apresentar a atração Fora de Hora, com Bento Ribeiro, inspirado no antigo programa que apresentava com o colega na MTV. 

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Todos os últimos acontecimentos na Globo, abalaram profundamente a atriz. "Vi minha amiga sem forças para viver", disse um amigo próximo de Dani. "Ela não queria levantar do sofá, não queria receber ninguém".

"Ela me disse que sentia suor nas mãos e a boca seca quando cruzava a catraca da empresa", disse uma atriz. Quando cruzava com Melhem nos corredores, ele quase sempre a chamava de "gostosa", apertava sua cintura, mexia em seu cabelo e dizia frases como, "Sonhei com você outra vez, hein!"

Em 2019, Dani decidiu ligar para Monica Albuquerque, chefe do Desenvolvimento e Acompanhamento Artístico (DAA), ao qual os artistas recorrem para apresentar suas queixas. Em janeiro, ela se reuniu com Monica e seu braço direito Jazette Guedes, e ouviu a promessa de que o DAA ia acionar os responsáveis na emissora pelo programa de compliance, que zela pela aplicação das normas éticas e de conduta que orientam a empresa. 

Três semanas depois, em conversa com Jazette, ela informou a atriz falou com Melhem sobre as acusações e que ele chorou durante a reunião. A única medida tomada pela executiva foi aconselhar que ele fizesse terapia. Indignada com a atitude da emissora, Dani recebeu a seguinte resposta de Guedes: "Mas existe apenas o seu caso".

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Após a denúncia de Dani, mais cinco mulheres compareceram ao compliance da Globo para acusar Melhem de assédio sexual. Três revelaram que ele costumava encostar nelas roçando seu pênis ereto. Outra disse que ao surgir de surpresa em sua casa, ele tentou agarrá-la. 

Em março, Melhem apenas foi anunciado pela Globo como "afastado". Em busca de justiça, em julho, um grupo de 13 pessoas composto por seis vítimas e sete testemunhas, procurou a advogada Maria Cotta, com objetivo de traçar um plano de como proceder com a emissora. Com a ajuda da ativista Manoela Miklos, referência para as mulheres em casos de assédio, Cotta criou a Bastet, que passou a dar assistência às vítimas do humorista. 

Em agosto, a Globo emitiu mais uma nota, dessa vez, anunciando a saída definitiva de Melhem da emissora.