Glória Maria em entrevista: "Tudo é racismo, preconceito e assédio, tá chato"

"Se você quer saber, eu acho isso tudo basicamente um saco", disse apresentadora.

por Miriam Kaibara 29 set, 2020 15:23Tags
Recomendado para você: Glória Maria em entrevista: "Tudo é racismo, preconceito e assédio, tá chato"

Glória Maria se tornou um dos assuntos mais comentados do Twitter nesta terça-feira, 29. Após entrevista em que diz que "hoje tudo é racismo, preconceito e assédio", Glória dividiu opiniões na web. 

Em conversa com a jornalista Joyce Pascowitch, ela demonstrou seu pensamento sobre essas questões. "Sobre essa questão do assédio moral e do assédio sexual, que provavelmente deveria existir, mas hoje em dia está tudo muito na vitrine, né?", diz Joyce.  

"Se você quer saber, eu acho isso tudo basicamente um saco", disse a apresentadora. "Hoje tudo é racismo, tudo é preconceito. Até hoje tenho na TV meus câmeras, técnicos, que trabalham comigo há 40 anos. Todos me chamam de neguinha. Eu nunca me ofendi, me senti discriminada. Eles me chama de maneira amorosa, carinhosa"

"Hoje tudo é preconceito, tudo é assédio e tá chato. Estou há mais de 40 anos na TV, já fui paquerada muitas vezes, mas nunca me senti assediada moralmente. O assédio moral é uma coisa clara, não tem dubiedade, não tem como interpretar. O assédio é uma coisa grosseira, que te machuca, te incomoda, desmoraliza". 

leia também
Ana Maria Braga revela que quebrou braço ao fugir de um assédio sexual

"Agora, a paquera, pelo amor de Deus. Eu tô cansada desse negócio. Os homens tão com medo de paquerar. Eu tô viva, quero ser paquerada. Existe uma cultura hoje que 'nada pode'. E nós mulheres sabemos diferenciar uma paquera de um assédio, de um abuso sexual. Se a gente não tiver capacidade de fazer isso, por que a gente chegou até aqui?", disse ela. "Eu acho que esse mundo tá muito chato, essa coisa do politicamente correto é um porre".

"Esse mundo que a gente tá, que vem muito da amargura, da frustração das pessoas, eu não gosto, não aceito, nessa eu não entro sob nenhuma hipótese", revelou. 

leia também
As autoras que abordam o racismo que você precisa conhecer

Diferente de Ana Maria Braga, que quebrou o braço ao fugir de uma tentativa de assédio de um diretor de TV, Glória diz que só tem boas lembranças. "As minhas memórias da televisão são de absoluta liberdade. Por isso eu tenho dificuldade de me enquadrar nesse mundo, porque minha vida pessoal e profissional foram livres. Hoje com tudo isso de não pode, não é bonito, não é legal, eu não me enquadro".

"Eu não sei o que farei daqui pra frente, porque dentro desse mundo de falta de liberdade, eu não consigo conviver", contou ela.