As teorias sobre o filme O Poço, da Netflix

Saiba mais sobre o longa que está dando o que falar e não sai do primeiro lugar no ranking do streaming

por Miriam Kaibara 26 mar, 2020 20:55Tags
O PoçoReprodução/Netflix

ATENÇÃO: Contém spoiler!

 

Se tem um filme que está dando o que falar, esse é O Poço, dirigido por Galder Gaztelu-Urrutia, em exibição na Netflix. Nos últimos dias, o longa espanhol não sai do primeiro lugar no ranking Brasil do streaming. 

Mas por que o filme chama tanta atenção do público? Primeiro porque a trama em si já causa espanto: o dia a dia em uma espécie de prisão vertical que possui um buraco no meio, onde é servido um banquete em uma plataforma, começando do 0º andar até o 333º. Para complicar mais ainda, os presos são trocados de andar a cada mês. 

O que entendemos ao longo da produção é que o intuito da trama é mostrar como o a solidariedade espontânea simplesmente não acontece naturalmente. Pois se cada dupla de cada andar comesse apenas o que lhes fosse necessário, os encarcerados dos últimos andares receberiam comida e não morreriam de fome, como é mostrado na história. 

Se você chegou até aqui com certeza deve estar com dúvidas sobre o desfecho do filme, né? Pensando nisso, decidimos reunir algumas teorias que surgiram na web sobre a produção. Confira abaixo:

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A primeira teoria que circula entre os internautas é que o poço nada mais é do que uma hierarquia capitalista, onde os ricos representam as pessoas nos andares superiores e os pobres os que estão nos inferiores. Podemos ver que os que aparecem acima sempre ridicularizam os que estão embaixo, mostrando como é bizarra a distribuição de riquezas em nosso mundo real. 

Além disso, o longa passa a mensagem perfeita para o momento em que vivemos uma pandemia do coronavírus. Em tempos de quarentena, em que os que podem, estão se isolando em suas casas para evitar o contágio, segundo aconselha a Organização Mundial da Saúde, vemos exemplos de pessoas que não pensam no coletivo, e apenas olham para si mesmos. Uma demonstração na prática, são aqueles que acabaram com os estoques de papel higiênico no mercado de alguns países, não deixando um rolo sequer para o próximo cidadão, que está comprando apenas o necessário. Afinal, se as pessoas de mais posse comprarem quantidades grotescas de itens, como sabão e álcool em gel, alguém irá ficar sem o produto. Adivinhe qual camada da população irá sofrer com isso? 

Há outros que acreditam que o filme tenha um contexto religioso e o "poço" representaria o inferno. Com 333 andares e 2 pessoas em casa um, chegaríamos ao número 666, considerado o símbolo do demônio. Dessa forma, o andar 0 representaria o paraíso. Nas cenas em que a comida é preparada também percebemos um toque "divino" pelas cores e iluminação, e alguém parece observar os cozinheiros em ação. Indo mais fundo, Goreng é chamado de messias diversas vezes no longa, e no desfecho da trama, ele realmente é tido como o "salvador" ao se sacrificar pelo bem de todos.

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E o que a menina encontrada no último andar pode significar? Após Goreng e Baharat (Emilio Buale) iniciarem seu plano de fazer com que todos em cada andar comam apenas o necessário, eles ficam chocados ao encontrarem uma menina no 333º andar, que Miharu (Alexandra Masangkay) tanto procurava. A garota seria a "mensagem" à Administração de que algo não estava certo no sistema do poço. A criança com toda sua pureza e inocência, no pior lugar daquela prisão, representaria a esperança de que algo pudesse mudar.

Outra questão que não quer calar é: qual o significado de Goreng permanecer no último andar e deixar que a garota suba na plataforma? Após toda sua jornada, o protagonista percebe que não há mais lugar para ele no mundo devido aos seus pecados. Afinal, entre suas ações está o assassinato de Trimagasi (Zorion Eguileor) com ajuda de Miharu, e ele também come a carne de Imoguiri (Antonia San Juan), após seu suicídio, para sobreviver nos níveis mais baixos. Para completar, ele e Baharat com certeza mataram um número considerável de pessoas que se negaram a dividir a comida, como proposto pelo plano da dupla. Dessa forma, ele termina o filme andando no sentido da escuridão ao lado do espírito de seu primeiro colega de cela.