Marta Silva, Seleção Brasileira

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O futebol sempre foi considerado esporte de homens. Em muitos países, como no Brasil, a prática chegou a ser proibida, durante décadas, para mulheres. E apesar de a bola estar presente no pé de todo mundo hoje, muitas jogadoras ainda estão lutando incansavelmente pela igualdade de gênero.

Nunca na história um campeonato mundial de futebol para as mulheres tem sido tão divulgado quanto a Copa do Mundo de Futebol Feminino, que segue rolando a todo vapor na França.

Apesar da mídia focar apenas nos jogos femininos, também é preciso mostrar o outro lado do futebol para mulheres. Recentemente, a brasileira Marta Silva, maior artilheira da história das Copas, fez um protesto em campo, assim que marcou o seu primeiro gol neste mundial.

Ela apenas apontou para sua chuteira, da qual não havia nenhum patrocínio de marcas esportivas; mas sim um símbolo a favor da equidade de gênero, do movimento Go Equal. Não ter um contrato foi escolha própria e o ato foi para enviar o recado da valorização do trabalho das mulheres.

"O que foi proposto foi bem abaixo do que eu recebia, bem menos, menos da metade. Muito abaixo do que a gente vê no futebol masculino. Resolvemos fazer isso. Mais uma oportunidade de lutar pelos nossos direitos. Há uma diferença muito grande em relação a salários, e a gente tem que estar sempre lutando para provar que é capaz", disse a jogadora, ao Globo Esporte.

E trabalho no futebol é o que não falta para Marta, que já foi eleita nada menos que 6 vezes melhor do mundo pela FIFA, superando o português, Cristiano Ronaldo, e o argentino, Lionel Messi.

Para quem não sabe, a brasileira, que atua no Orlando Pride, ganha 340 mil euros por temporada, enquanto Neymar, do Paris Saint-Germain, leva uma bolada de 91,5 milhões de euros. Notaram a diferença?

"Fazemos isso para que as próximas meninas que venham aí possam usufruir de uma qualidade maior de trabalho. Cada vez que tem a oportunidade, a gente precisa mostrar ao mundo que a igualdade é necessária. É uma luta constante. É triste ver que a gente ainda precisa fazer isso", completou Marta.

Ada Hegerberg, Desigualdade de Gênero

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E ela não está sozinha na corrida contra a discriminação de gênero. A atacante da Noruega, Ada Hegerberg, eleita a melhor do mundo pela UEFA e faturando a Bola de Ouro Feminina em 2018, se recusou a participar da Copa do Mundo na França pelo mesmo motivo, ou seja, desigualdade.

Enquanto ela recebe 400 mil euros por temporada, Messi fatura 130 milhões de euros. E já faz 2 anos que a musa não joga bola pela Seleção Norueguesa. Quem também fez barulho sobre o assunto foram as norte-americanas Alex Morgan, que já marcou 5 gols em 1 jogo neste mundial, e Megan Rapinoe.

A dupla entrou em um processo contra a US Soccer, Federação que coordena o esporte nos Estados Unidos. Elas alegaram a discriminação institucionalizada e protestaram por igualdade salarial e condições trabalhistas.

Foram apresentadas 25 páginas com argumentos sobre as categorias femininas de futebol serem discriminadas pelo simples fato de serem mulheres, desde o local onde jogam até o jeito como viajam.

Maribel Dominguez, Desigualdade de Gênero

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Há ainda outros casos de desigualdade acompanhados com preconceito, como o da mexicana Maribel Domínguez, que foi proibida de jogar no time masculino do Celaya Fútbol Club mesmo após ter sido contratada, em 2004; e da canadense Stephanie Labbé, que tentou entrar na equipe "dos homens" do Calgary Foothills, em 2008.

Naquela época, a FIFA declarou, sobre o caso de Maribel que "deve haver uma separação clara entre o futebol masculino e o feminino". Além disso, um dos argumentos comuns é que as mulheres têm diferentes características físicas e – o pior! – diferentes habilidades.

Em 2014, Marta foi a única mulher a jogar em uma partida beneficente com outros craques da bola. Ela, no time de Ronaldo e Zidane, deu assistência em 2 gols e faturou o jogo por 8 a 6, na Suíça.

A luta parece estar perto do fim, mas levantar a bandeira branca não está na mente das jogadoras de futebol.

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